O HARTWELL

O Hartwell era, segundo o seu orgulhoso proprietário, John Fiott, o maior navio do seu gênero a serviço da Cia. Inglesa das Índias Orientais (EEICo). Lançado à água com grandes celebrações. O Hartwell era um navio de carga construído para resisti aos rigores de uma longa viagem até o Oriente. Uma viagem de ida e volta à China ou ao Japão podia levar três anos. No compartimentos do capitão iam as mais valiosas mercadorias privadas para uma maior segurança.

O Wartwell iniciou a sua ambiciosa viagem para a China em Fevereiro de 1787, zarpando da Inglaterra com uma carga imensamente rica que incluía 5933 kg (209.280 onças) de prata fina carregada por conta da Companhia e ainda outras mercadorias, como relógios, jóias, têxteis e chumbo expedidas por mercadores privados, O irmão de John Fiott era o capitão e outros membros da família eram acionistas.

Navio típico das Cia das Índias Orientais.
 

Desde o princípio da viagem que o Hartwell teve problemas. Em Gales fez, atrasar o navio, em 20 de Maio rebentou um motim.

O motim da tripulação do Hartwell na sua primeira viagem, motivou por parte do capitão uma mudança de direção que veio provocar o naufrágio.

A causa da rebelião foi a recusa da tripulação em apagar as luzes. Puxar de facas, linguagem abusiva, e, depois da luta, três homens foram presos e postos a ferros. Continuou a haver desordens e 50 membros da tripulação "cantavam canções muito ousadas e desafiavam as ordens dos oficiais". Após três dias o motim foi controlado e o capitão mudou o rumo a Cabo Verde, para entregar os amotinados ao governador. Mas o navio naufragou antes de chegar ao destino. Após três noites sucessivas sem dormir devido aos distúrbios, os oficiais acidentalmente fizeram o navio bater num recife a nordeste da ilha de Boa Vista, Cabo Verde, na costa oeste da África. O navio partiu-se, e toda a carga se perdeu, embora a tripulação tivesse conseguido salvar-se. De volta a Inglaterra, o capitão Fiott e o seu imediato foram julgados e condenados pelo Tribunal da Cia. das Índias Orientais por transportarem demasiados marinheiros na escuridão e por terem cometido erros de navegação.

 A seguir, a Companhia virou a sua atenção para a recuperação da sua propriedade. Nos dois primeiros anos tiveram pouco êxito. Todos os baús que continham tesouros tinham se partido devido a ação das ondas, e as valiosas moedas estavam espalhadas no recife onde se deu o naufrágio.

 Os irmãos também tiveram de se ocupar com escaramuças com os piratas das Caraíbas que tentavam saquear o tesouro. Em um dos ataques, William foi gravemente ferido, dois dos mergulhadores mortos, tendo os piratas fugido levando 11.000 dólares de prata que haviam sido recuperados.
Após o ataque, John Braithwaite regressou a Inglaterra para fazer algumas adaptações à campânula de mergulho e armamento de defesa.
A Cia das Índias Ocidentais encarregou os pesquisadores de naufrágios com e mais sucesso dá época os irmãos William e John Braithwaite, de salvar a prata. Os irmãos seriam reembolsados em 12,5% de tudo que fosse recuperado. Parecia ser um bom acordo mas era uma empreitada perigosa e a exigia muita perícia.

John Braithwaite voltou para junto do irmão, em Cabo Verde, e recomeçaram as operações, usando o novo equipamento.
Desta vez tiveram um sucesso maior. Quando concluíram que não conseguiriam mais nada, suspenderam as operações. Tinham recuperado a fantástica soma de 97.650 dólares de prata que correspondia a uma fortuna para os irmãos Braithwaite, mas assim ainda ficou por apanhar uma grande quantidade de dólares próximo ao local do naufrágio, o suficiente para entusiasmar empresas caçadoras de tesouros dos nossos dias. Os dólares de prata desta época, em boas condições, podem atingir um montante considerável, o que sugere que pode ainda estar na zona naufrágio, a espera de ser recolhido, um tesouro do valor de 2.500.000 Libras Esterlinas.