BALIZAS X ANTEPARAS - 1


Muitos modelistas apreciam a construção de modelos onde se pode observar os detalhes internos da embarcação.

Para tanto, seria necessário adequar seu projeto para esse propósito caso tenha de partir de um plano que resulte em um modelo muito próximo ao real!

Até o momento destacamos sempre a construção por anteparas maciças.

Tudo bem se quisermos apenas ter a vista da parte externa do modelo.

 

Se fossemos construir a escuna América a partir de um plano onde o projetista achou por bem construir com inúmeras balizas, acho que a primeira vista o pensamento seria logo desistir.

Mas lembre-se que sempre existe alternativas para qualquer problema com o qual nos deparemos.

Como poderemos ver a seguir, o problema poderá ser contornado com uma relativa facilidade, desde que saiba-se os princípios básicos da construção por balizas.

 

Nesse outro exemplo, pode-se ter uma idéia aproximada do problema!

Note-se aqui o número enorme de balizas são de 42 balizas pelo menos!!

 

Com a redução do número de balizas conseguiu-se um modelo mais fácil de ser confeccionado sem sobra de dúvida

 

A construção pelo processos de balizas é bastante laboriosa.
O resultado é sem dúvida alguma surpreendente e compensador vendo-se o modelo ao lado.

Caso venha a optar por seguir rigorosamente a técnica de construir por balizas, o modelo não propiciará fazer seções internas que possam ser observadas de fora.

É aquela história: você sabe que existe mas não poderá ver!

 

Devido ao grade número de balizas, as quais são muito rigorosamente muito próximas umas das outras, a solução será construir o modelo com menos balizas.

Isso facilitará muito a construção diminuindo sobremaneira o trabalho a ser executado.

 

Mas, para que se possa partir para esse tipo de construção, será necessário compreendermos antes a construção por balizas!


QUILHA


Constituída por uma ou várias peças entalhadas, a quilha é o elemento estrutural fundamental de todo o navio, a coluna vertebral que sustenta toda a estrutura do navio. Das suas duas extremidades nascem a roda e o cadaste, limite físico das proporções da nave. A quilha é, além disso, elemento proporcional do qual surgem as medidas fundamentais do navio,
Quando se fala de um navio cujas proporções são 1, 2, 3, por exemplo, se está indicando que 1 é a proporção mais importante e corresponde à boca, quer dizer, a parte mais larga do navio; 2 é a quilha, quer dizer:
 

Duas vezes a boca, e 3 refere-se à boca, longitude máxima do cascona sua primeira coberta e que neste caso contêm 3 vezes a boca.
Conhecendo estas três proporções, é possível determinar as medidas fundamentais, assim como a capacidade do navio.

A longo da quilha, roda e cadaste e ambos os lados, abre-se uma canal em forma de V chamado alefriz, onde se encaixa o primeiro tabuado do forro, chamado tábua das astilhas. Debaixo da quilha e ao longo dela, desde o cadaste até ao nascimento da roda, coloca-se outra tábua chamada quilha falsa ou sobressano, com a dupla missão de proteger e fixar a quilha.

Na antiguidade, quando o comprimento do navio e a disponibilidade de árvores o permitiam, procurava-se colocar a quilha de uma só peça. Com o tempo, e dada a escassez de grande árvores, as quilhas eram construídas por vários trechos chegando no século XVIII, em que o navio de 74 canhões podia a chegar a ter até 6.

 CADASTE 

Situado à popa da quilha, o cadaste é uma peça quase vertical, com uma ligeira inclinação: seu encaixe na quilha é feito mediante um espigão. Entre quilha e cadaste colocam-se algumas peças de madeira chamadas «dormentes» que reforçam a união entre si com as cavernas de popa. Sobre este conjunto assenta a sobrequilha correspondente interno desta peça, e sobre ela a curva do contracadaste. Todas estas peças unem-se entre si mediante longos pregos de ferro ou bronze. O cadaste contém também o alefriz, onde terminam as balizas de popa. Termina esta peça na sua parte superior, na clara do leme, por onde se introduz a cana do mesmo.

 

Conjunto formado pelo cadaste, dormente e coral

RODA 

É a peça curva situada à proa da quilha. Costuma ser formada por várias peças fortemente encaixados e unidas por pregos. Antigamente, e em geral nos navios espanhóis até ao século XVIII, esta peça era uma curva quase perfeita sem mais aditamentos; por seu lado os navios ingleses e franceses adotaram uma peça chamada em inglês «gripe», pé de talhamar, construída muito larga para diminuir o abatimento ou desvio da rota inicial devido ao efeito da ondulação, das correntes ou do vento. Do mesmo modo que a quilha e o cadaste, a roda leva na sua parte interna a sua correspondente contra roda e o seu alefriz em ambos os costados.

 

O talhamar que une a roda ao castelo de proa por meio de diversas madeiras, pode prolongar-se dando lugar a uma peça tipo esporão muito utilizados nas galeras, ou beque como também era conhecido.

BALIZAS

São os elementos estruturais que dão ao navio as suas formas e volumes fundamentais, proporcionais ao comprimento da quilha e da eslera. Podem ter várias formas, que variam desde a forma de U à de V. São simétricas a um eixo central e assentam na sua parte média inferior sobre a quilha.

Uma baliza compõem-se de várias peças: a caverna ou parte inferior, que na sua linha média se encaixa sobre a quilha e da qual em ambos os costados partem os braços que formam a ossada e que se colocam em contraplacado, de modo que cada baliza fique dupla. Antigamente, nas época dos galeões, os espaços entre as balizas variavam entre quarenta e setenta cm, o que dava à nave pouca solidez.

No século XVII começou a generalizar-se o uso de balizas intermédias, chamadas maciços ou balizas de enchimento, com o que a segurança aumentou, tanto frente aos embates da água como aos impactos da artilharia.