BARCOS EM GARRAFAS 

 


 

O vidro branco industrializado para confecção de garrafas propiciou o surgimento de uma nova arte que consistia em confeccionar barcos dentro de garrafas. Na época das longas viagens regulares dos correios  muito além do Cabo Horn e Cabo da boa Esperança e também o transporte de mercadorias como nitrato, cobre ou chá, submetiam a tripulação a um longo período de “isolamento”. Para matar o tempo nessas longas viagens, os marinheiros em seu quarto de descanso dedicavam-se a confecção de pequenas embarcações contidas dentro de garrafas. Esse tipo de passatempo, muitas vezes era encorajado pelo próprio capitão da embarcação porque deixava a tripulação mais calma evitando problemas. Ao mesmo tempo, a construção desses frágeis modelos dentro de garrafas propiciava que os mesmo ficassem bem mais protegidos. Outro fator importante era que não havia necessidade de muito espaço, crucial em uma embarcação, e de requerer um mínimo de ferramentas.

Vejam que interessante!A famosa embarcação La Couronne construída dentro de uma lâmpada de 500 wats.

 

Por esses motivos e outros a confecção de barcos dentro de garrafas tornou-se tão popular no meio da classe dos marinheiros daquela época e que hoje expandiu-se para todos os recantos do planeta!

Mas vem a pergunta! Qual o recipiente a ser utilizado? Pode-se escolher qualquer tipo. Podem ser longas ou bojudas grandes ou pequenas ou mesmo lâmpadas ou  vidros de laboratório. A imaginação e o bom gosto é quem ditará a escolha!

Garrafas de gargalos compridos e estreitos são as mais complicadas de se fazer um modelo engarrafado, mas o bom dessa modalidade é justamente o desafio!   

Nos dias atuais, muito tem se difundido fazer modelos dentro de lâmpadas, mas isso varia de pessoa para pessoa! Mas atenção: o mais importante  é escolher  uma garrafa que proporcione em seu interior um espaço proporcional ao modelo. Outro fator de grande importância será a escolha da transparência do vidro. Quanto mais translúcido melhor. Caso queira colorir, deverá ser feita da forma mais suave possível!. Evite também recipientes que deformam a imagem, isso torna bastante desagradável a observação do modelo quanto finalizado. Nada de cortar o fundo para depois colar e coisas do gênero! Aliás, muitos o fazem no sentido de “facilitar” o trabalho! Eu mesmo já tive a oportunidade de observar trabalhos, importados inclusive, onde o fundo era fechado por meio de calor e vendidos com preços relativamente salgados em lojas finas! Não se deixe iludir! Esse tipo de trabalho não tem valor algum!

 

Um modelo clássico!
Goleta de St. Malo construída dentro de uma garrafa com formato de um paralelepípedo.

 

Não deixe a mostra imperfeições do vasilhame. Se escolher uma determinada garrafa e a mesma vai ficar na posição horizontal, tome o cuidado de colocar para baixo a emenda caso essa esteja aparente!    

Uma outra dica muito boa é gravar na garrafa o nome de seu modelo utilizando uma mini retífica própria para gravação em vidro!

Essa primeira aula é na verdade um primeiro contato com essa modalidade de modelismo. Na próxima aula estaremos discorrendo as técnicas propriamente dita.

Eduardo Dias Nunes