Indonésia

No passado, a vista de um prao “voador”, no Mar de Java preocupava o viajante porque este “prahu de Java” (de origem malês) tinha potentes espingardões fixos na quilha e era geralmente uma nave pirata.

Com 15 m de comprimento e 4,2 m de largura, era uma espécie de híbrido. A alta ponte de popa e o longo gurupês eram ocidentais; os dois remos de governo (um em cada flanco), as galerias fora de bordo e a curiosa cabeça de mastro encurvada sugeriam origens mediterrâneas; o mastro bípede e o casco de madeiramento de tek, sem costado e sustentado por vigas transversais in­sendas depois da construção, eram idênticos aos das antigas embarcações egípcias.

O velame do prao “voador” mudou pouco através dos séculos; prova disso são as naves que se vêem em Java nas esculturas do templo de Borobudur, executadas quase há mil anos. A bordo desta embarcação audaciosa, a tripulação tem um modo característico, primitivo mas eficaz, de proteger as provisões dos ratos e de outros parasitas que inevitavelmente infestam o prao: simplesmente as mantém suspensas em um enorme vaso de terracota, amarrado no mastro
O prao bedang, do Maduré, perto de Java, é uma embarcação de dois mastros, longa, com duplo balancim (outrigger) fora de bordo.

Provida de um só remo de governo, tem a popa mais alta do que a proa, que se projeta em forma de rostro. E equipado de maneira um pouco semelhante a uma goleta, mas com o mastro de mestra muito à popa e o traquete mais baixo muito à proa. As velas triangulares, com a parte superior presa a uma antena e a inferior costurada a uma haste, fazem pensar numa forma híbrida entre a vela latina e a de terço.

 

O prao mayang, ao contrário do bedang, lembra a “nave redonda”. Ë de dois mastros para carga com madeiramento liso, um remo de governo no flanco esquerdo, o mastro principal muito à proa, uma vela grande (entre a latina e a de terço). O gurupês e o floco são ocidentais. Uma grande cabina, aberta na popa, abriga a tripulação e a carga.

O caracor, um outrigger, próprio das águas da Nova Guiné, das Celebes, Bornéu e Java, tem a proa e a popa prolongadas, um pouco semelhantes às da “nave longa” do norte. O mastro trípode sustenta uma vela entre latina e de terço com a parte superior ligada a uma longa antena e a borda inferior presa a uma haste; no flanco esquerdo fica o remo de governo. Os holandeses utilizaram o cara cor até uma época relativamente recente, para fins de vigilância, dadas as suas qualidades de velocidade e facilidade de manobra.

Como o prao “voador” de Java, o outrigger do mar das Sulus, com mastro trípode, era evitado por ser com freqüência a embarcação dos mouros, caçadores de cabeças. Era uma simples e primitiva canoa, com um pesado balancim à esquerda, mas sua vela enorme, do tipo entre latina e de terço, imprimia-lhe uma velocidade excepcional quando o vento era favorável.