EMBARCAÇÕES CHINESAS

O junco, que é talvez entre os barcos a vela existentes o de tipo mais antigo, conservou em larga medida a forma original: provavelmente o casco, com pouca projeção da proa e da popa e sem quilha, era inicialmente uma dupla canoa. O junco do rio Amarelo tinha a forma mais simples, a ponto de ser chamado “uma caixa de embalagem flutuante”. Construído com tábuas de madeira de Tang Liu Mu encaixadas, era dividido em três compartimentos mais ou menos estanques e podia transportar cerca de vinte toneladas.

Junco do rio Amarelo conhecido como "caixa de embalagem flutuante"com capacidade de carga de até 20 toneladas.

O tipo mais antigo de junco chinês de altura é o junco do Golfo de Pe-chi-li, mercante com uma tripulação de vinte ou trinta homens, que ainda em 1910 se encontrava na região de Singapura. Tinha o fundo chato, para poder encalhar sem danos em bancos de areia, e dimensões respeitáveis: de 43 a 50 m de comprimento, de 6 a 9 m de largura, e uma capacidade de carga de até 400 toneladas. Construído em Changai para o tráfego de Yingk’ ou à própria Changai e aos outros portos das províncias de Chiangsu e Chechiang, era mastreada de um modo todo especial. A mecha do traquete era fixada fora de bordo, à esquerda, com uma trinca; os dois mastros principais e o de mezena eram alinhados; mas ha­via uma mezena suplementar, na direção da popa e à esquerda, um pouco afastada da barra do leme, usada para virar de bordo na proa.

Interessante junto mercante do
Pe-Chi-Li.                

Além das grandes velas de terço, freqüentemente se co­locava uma vela de estralho entre os mastros de mestra e (estranhíssimo em um junco) se alçava uma grande vela de gávea para dar mais impulso a esta nave rígida. A tripulação tinha na popa uma longa cabina; uma ponte saliente na popa servia para manobrar a vela de mezena. Em certo tempo, ao largo da costa chinesa, encontravam-se os juncos de Fuchou com sua carga de madeira “sobre a coberta”. Estes “juncos de madeira” tinham três mastros e uma capacidade de carga que variava entre 200 e 400 toneladas. O ferro delgado de que eram muitas vezes revestidos era refugo importado dos mercados ingleses. As velas eram as costumeiras, de tela branca ou marrom, com varetas; os orna­mentos variavam segundo o gosto dos armadores. A tripulação (de 30 a 40 homens) alojava-se na popa na grande cabina, que tinha o símbolo da divindade ou do ídolo protetor da nave.

A estrutura de madeira sólida e maciça, dividida em compartimentos estanques transversais a cada dois metros e meio, e longitudinais a cada metro e vinte, tornava estas embarcações extremamente adaptadas ao mar.  

Este outro interessante junco é o "junco de transporte de lenha de Fuchou". 

Em 1848, o junco Keyng, sob o comando do capitão Kellet, fez a viagem de Hong Kong a Londres virando o cabo de Boa Esperança; o Whangho fez a travessia de Hong Kong a Sidney em 1908, e o Ningpo, a de Changai a San Francisco em 1912.  

Primeira lorcia chinesa que foi construída em Macau, por volta de 1843.

A Iorcia chinesa era bizarra, um híbrido, como o scebek-polaca. As primeiras foram construídas em 1843, em Macau, pelos portugueses, para combater os piratas que infestavam os rios e os mares da China. Tinham, com o velame à chinesa, um casco de fundo chato, em madeira de tek ou de cânfora, mas ocidentalizado. Em 1847, sete destas embarcações expurgaram a zona de Ningpo dos ninhos de piratas. Depois os portugueses, não precisando mais delas, as venderam e elas caíram nas mãos de traficantes de armas e de contrabandistas. Uma Iorcia, a Arrow, tomou parte decisiva na guerra anglo-chinesa de 1857-1860. A lorcia podia se ver ainda em 1865, facilmente identificável pela pintura vermelho­ferrugem, com o castelo de proa e a ponte de popa amarelos e a cabina branca.