África

 

 

Do grupo de ilhas de Lamu, junto à costa do Quênia, era inicialmente transportada madeira para Zanzibar, por meio de uma embarcação chamada mtepi.
Em seu aspecto geral esta embarcação lembrava um dhow árabe, pela projeção arrojada da proa e pelas vivazes decorações do leme. Porém, no madeiramento do casco a fibra de coqueiro servia tanto para fazer as cordas que uniam as tábuas, como para "calafetar", por dentro, os vãos que eram preenchidos com fitas de fibra de coqueiro e folhas de palmeira. Feito isso, o casco era reforçado por vigas presas internamente através de furos no madeiramento e depois fechados com buchas de madeira. O alojamento da tripulação era uma cabina de teto de palha, na popa.

Barco costeiro, mtepi do Quênia, com a característica vela de esteira.


A proa e a popa desta embarcação bizarra eram construídas com blocos de madeira com as bordas sobrepostas (a fim de se alcançar a inclinação desejada) e depois fixados com cavilhas. Este método, próprio dos países em que faltava madeira para a construção naval, revela, talvez, uma herança do antigo Egito.
Nesta embarcação da África oriental eram características as bordas de fibra de palmeira e as três bandeiras de cores vivas que ornavam a extremidade da proa feita em forma de bico, que em alguns
casos tinham também o desenho do olho. Este mtepi tinha porém uma causa congênita de fragilidade na construção fragmentária da proa e da popa e na vela, grande mas rígida, que tornava difícil a manobra, a menos que o vento corresse da popa.

A canoa com um só balancim (outrigger) é essencialmente uma embarcação costeira, utilizada por causa de sua leveza e facilidade 'de/manobra entre1 ilhas/onde os baixios e os golpes são freqüentes. O balancim duplo pode constituir em tal caso um verdadeiro perigo, quando a embarcação se inclina por causa de uma lufada de vento ou de um escolho e o balancim de sotavento afunda na água de repente.
Neste caso, a dificuldade de governo da barca, por causa da resistência do balancim de sotavento, pode causar-lhe a perda.

O sakalavan do Madagascar é uma canoa típica de um só balancim. Escavada em um tronco, estreita, tem uma tela transversal que abrange o balancim e uma plataforma, da qual, por meio de um remo, se governa esta frágil mas boa embarcação.


Eduardo Dias Nunes

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