Japão e Formosa

Observa-se com surpresa a anomalia de que um povo marítimo como o japonês, tenha tido um tipo único de junco e além do mais sem qualidades especiais nem quanto à construção nem quanto ao funcionamento.

O junco japonês pesado e grosso, este barco de dois ou três mastros apresentava um defeito congênito e perigoso: pela abertura da popa, na qual se movia o timão para levantá-lo ou abaixá-lo, entrava água quando as ondas batiam na parte superior da popa.

 Particularidades ainda mais surpreendentes: as galerias fora de bordo, aos lados, e na proa o traquete de saco, eram quase idênticos aos de uma nave romana para transporte de trigo. 

As violentas ressacas na costa oriental de Formosa fizeram surgir um tipo de jangada a vela, considerado o mais perfeito neste gênero de transporte. 

A jangada de Formosa, construída com grandes bambus, tem lados e proas elevados, uma grande haste de bambu como mastro, e velas de esteira do tradicional tipo chinês, reforçadas por varetas entrecruzadas. Para evitar a deriva a sotavento, quando navegava a vela, a tripulação enfiava na água finas tábuas entre os fustes de bambu. Desta invenção chinesa se originou a nossa quilha de deriva, fixa ou móvel.

Esta jangada tem, no centro, um grande tanque de madeira, com tábuas sobre as quais sentam-se os passageiros para conservar os pés enxutos. Além da vela, a jangada é provida, nos quatro ângulos, de grandes remos fixos no escalmo e que se chamam yuloh. Têm a propriedade de virar sozinhos; isto se deve ao fato de que a pá é disposta segundo um certo ângulo em relação à empunhadura e por isso o remador não tem necessidade de fazê-la girar quando o remo emerge da água.