EGITO

Os primeiros a Construir navios parece que foram os egípcios. Flinders Petrie, nas escavações de Fayim, achou em 1929 um modelinho, em pedra, de uma embarcação a vela, cuja origem re­monta a 11.000 anos. Os egípcios dispunham, sobretudo, de embarcações fluviais e que navegavam a vela só com vento em popa; porém, embora não gostando do mar, construíram também navios para viagens marítimas. Cerca de 2900 a.C., o faraó Sneferu pôde mandar à Fenícia quarenta navios de madeira, para comprar cedro. Não tinham quilha nem costado e eram construídos com blocos de acácia, semelhantes a tijolos, unidos com cavilhas de madeira. 

Primitivo flutuador egípcio usado para transporte do trigo no rio Nilo, já no ano 3000 a.C.; vela, feita de  papiro, é erguida num mastro bípede.

O mastro bípede, com um contrapeso de pedras, inclinava-se sobre a ponte quando o navio funcionava a remo. Para governá-lo havia seis remos em fila e as hastes de proa e de popa, sem função prática, eram decoradas com o olho de Horus e com o símbolo da vida, a sagrada cruz com o anel no alto.

Uma das naves de madeira com seis remos de governo, 
que formavam a frota mercante do faraó Sneferu, cerca
 do ano 2900 

São de 1200 a.C. os baixos-relevos que representam a vitória de Ramsés III sobre os filisteus, no mar, primeira batalha naval de que se tem notícia na história. Em lugar dos seis remos já citados, há um só, grande. O mastro é único, com cabos normais, e com a mais antiga “plataforma de combate”. A vela, grande e bem desenhada, era dotada de cabos para fechá-la sem necessidade de arriá-la. Os remadores eram protegidos por um anteparo de madeira das amuradas. 

Nave de guerra rostrada pertencente a frota de Ramsés III com a qual enfrentou os filisteus.

Então, a construção naval do antigo Egito atingiu o apogeu. Certas embarcações que navegam hoje no rio NiIo são bem mais rústicas. No rio Nilo falta ainda a boa madeira para construir barcos. A acácia ou o sicômoro, madeiras duras mas friáveis e de difícil elaboração, fornecem tábuas curtas (de 1,20 a 1,80 m, unidas para formar a estrutura da nave. Isso implica a fragilidade da embarcação que, construída quase “palmo a palmo”, é muitas vezes rudimentar e desajeitada.

 

A gaiassa, equipada com dois ou três mastros com velas latinas, é um pouco “faz-tudo”, como as chatas a vela (barges) do Tâmisa. À diferença destas, porém, não pode subir contra o vento; navega somente com vento favorável, retornando depois à deriva.

 

 

A markab, encontrada no rio Nilo no trecho de de Angola, é análoga à gaiassa, mas com mastro único no centro, bem sustentado por cabos fixos. A vela, presa entre duas hastes, é suspensa obliquamente. Trata-se de um barco de pouquíssima imersão, equipado com um robusto timão e usado para trabalhos diversos.

 

 

 

Em Omdurman existe o nuggar, de construção rústica. É uma barca chata, descoberta, larga, de um só mastro, no centro. É impelida por uma vela quase idêntica à da markab. Muitas vezes o nuggar é utilizado como balsa. Barcos menores realizam ocasionalmente o serviço auxiliar, de transporte e de carga, para outros maiores que podem atingir um comprimento de 18m, com uma tripulação de seis a oito homens, com capacidade de carga para 40 e 50toneladas.