O MESTRE


Nos navios reproduzia-se a mesma estrutura da sociedade.
Nesse microcosmo, a oficialidade correspondia ao poder, no caso os fidalgos! O capelão representava o clero. Mas havia também o escrivão que correspondia aos cartórios, os pilotos e cirurgiões à ciência.

Mas manter uma ordem entre gêneros tão diferentes era necessário um outro elemento! O mestre ou patrão se assim o desejar. No Mediterrâneo chamavam-lhe de nocher, o sábio do navio!
Por aí pode-se notar a sua importância a bordo dos navios daqueles tempos! Embora ao longo do tempo fosse perdendo esse prestígio inicial, foram de fundamental importância  nos séculos XVI e XVII.

Desde da Idade Média e ainda no século XVI o nome de Patrão era totalmente compreensivo! Em qualquer momento era quem realmente manda, menos nos combates. Sua ordem era lei e não havia a possibilidade a quem recorrer em contrário, salvo o piloto que poderia obstar uma ordem sua. Para isso, teria de ser submetida sua demanda ao conselho de bordo embasando-se sempre em relatos técnicos!

No século XVII o piloto diminuiu seu poder tirando-lhe a navegação. Na esquadra francesa, durante a égide de Richileu e Colber foram-lhe pouco a pouco tirando outros poderes em favor dos oficias superiores. Inicialmente nos navios do Rei e, mais adiante, após a criação das escolas, chegou à marinha mercante.

 

Marinheiro francês da época

Mas enquanto não chegava o seu ocaso, muitos mestres nesse período acumulavam as funções de capitão e até mesmo de piloto. Isso também se verificaria nos navios de corso. Mas havia um perigo latente haja vista não raro o capitão entender muito mais dos aspectos de combate do que mesmo das rotinas do navio!

 Em caso de sua morte ficaria a tripulação ao desamparo? Para contornar esse problema surge a figura do imediato, posto que nos dias atuais ouvimos falar sempre, que tinha como objetivo auxiliar o mestre e de substituí-lo em um eventual evento de qualquer ordem até mesmo por morte.

O recrutamento de um mestre era baseado na sua boa reputação, tempo de navegação, experiência, situando-se sua faixa etária em torno dos trinta anos e muito raramente acima dos quarenta.

Na marinha do Rei de França recebiam uma patente tendo como pré-requisitos: terem feito duas campanhas e possuírem um ótimo conhecimento prático. Essa regra apenas era quebrada quando se tratava candidatos holandeses ou escandinavos por serem consagrados marinheiros!

O mestre exercia seu poder sobre todos a bordo ficando fora de sua autoridade apenas os oficiais superiores e aqueles que não faziam quartos como; mestre artilheiro, soldados, o cirurgião e ajudantes, o escrivão, o chefe dos criados e seus subordinados e o cozinheiro!

 

Oficial da marinha francesa

Quando no mar, a oficialidade sobre ele carregava toda a responsabilidade pela segurança do navio.

Em conjunto com o piloto (que não recebia ordens suas) orientava por exemplo, a fundear o navio, a ancoragem, que era vigiada pelo seu contramestre postado junto ao cabrestante, aparelhagem. Pode-se ver que quase tudo recaía sobre os seu ombros, conferido-lhe um alto prestígio!

Depois do navio levantar ferros ele fará quartos com seu contramestre de maneira alternada.

Tudo estava sob sua responsabilidade! Até mesmo o posicionamento dos canhões, da distribuição do lastro para a estabilidade do navio.

De seu castelo orienta a manobra das velas dado apitadelas por meio de seu apito-mor que lhe é concedido ao assumir o posto.
Ao mudar-se de um navio para outro ou ficar um período longo em terra vendia o apito pelo fato de obter um preço bem razoável por ser confeccionado em prata!
Todas as noites deverá mandar examinar as vergas, reduzir os panos. No seu quarto no deck é assistido na proa pelo seu quartel-mestre  quarteiro. Fica a seu cargo o mastro grande e o da gata enquanto o contramestre deverá se desincumbir do traquete e do gurupés.

 

Século XVII a época de ouro dos mestres

Durante o dia, duas vezes por semana ele faz uma inspeção para verificar se tudo está em seu devido lugar, limpo. Verifica também a implantação dos mastros as condições dos cabos e se existem peças suplementares para uma eventual substituição.

Ao mestre cabe obrigar os homens a trabalhar! Mas não lhe é facultado o direito de castigar!

O seu maior “inimigo” é o escrivão! Esse é quem escreverá os relatórios que serão lidos pelos proprietários do barco! E aí de um mestre de temperamento violento que tenha exorbitado de sua autoridade ferindo a um marinheiro qualquer.

O mestre é aquele que melhor conhece os ventos e o comportamento da embarcação em relação a eles!

Era uma figura essencial e não poderia faltar em uma embarcação! Quer seja do Rei quer seja em um barco pirata!