Bonhomme Richard

 

Não se pode dizer que o Bonhomme Richard fosse um navio do tesouro, no sentido convencional, ou seja, aquele navio que transportava grandes quantidades de ouro e prata ou artefatos de grande valor intrínseco, quando naufragou.
Mas era um barco com imensa importância  histórica, que se perdeu numa batalha em que a armada americana teve a sua primeira vitória, a Batalha de Flamborough Head, e era comandado pelo primeiro herói da marinha americana, John Paul Jones. Assim, a sua carga tem um valor enorme pela associação com estes fatos. Muitas tentativas têm sido feitas para o localizar, mas, até agora, sem sucesso.

Por volta de 1778, John Paul Jones estava em Lorient, na costa ocidental da França negociando ansiosamente com o Governo deste país que era aliado dos rebeldes americanos, um navio com o qual ele pudesse empreender ações de ataque aos navios mercantes britânicos. Um velho navio da Cia. Francesa das Índias Orientais foi convertido em barco de guerra e rebatizado com o nome de "Bonhomme Richard".

John Paul Jones, comandante americano, pretendia um barco rápido com uma poderosa bateria de fogo, suficientemente grande para poder transportar uma tripulação considerável e também tropas. O único barco disponível era o Duc de Duras, da Cia. Francesa das Índias Orientais, construído em 1776, e tinha já feito quatro viagens ao Oriente, pelo que estava perto do fim da sua vida.

Jones rebatizou-o de Bonhomme Richard e convertendo-o em um num navio de guerra. Equipá-lo, levou seis meses, durante os quais também foram abertas canhoneiras para montar 18 canhões extras, apesar de ser perigoso abrir estas canhoneiras junto à linha de água.

Bonhomme Richard Faz-se ao mar em Agosto de 1779, com 40 peças de fogo e uma pequena frota acompanhante estavam prontos para partir. Tinham instruções para atacar navios britânicos e também para afastar a atenção sobre a franco-espanhola que planejava atacar a costa sul de Inglaterra.
A frota de Jones navegou para oeste da Irlanda, contornou a Escócia e virou para sul pelo mar do norte. Navegava ao longo da cota este da Inglaterra quando deparou com a frota britânica do Báltico, que carregava abastecimentos para a Marinha e era escoltada por dois navios de guerra: as corvetas Countess of Scarborough de 20 peças de fogo, comandada pelo capitão Piercy, e o Serapis de 50 peças comandada pelo capitão Pearson.

Os navios de guerra britânicos posicionaram-se entre a frota de Jones e os navios mercantes ingleses que rapidamente escaparam para a costa. Por volta das 6 da tarde do dia  do dia 23 de Setembro, o Serapis e o Bonhomme Richard faziam fogo um contra o outro. O Serapis tinha a vantagem de dispor de um maior poder de fogo, e a sua Superioridade ainda aumentou quando alguns dos 18 canhões que ]ones tinha instalado explodiram ao disparar, causando um número considerável de baixas. Após isto, Jones deu ordens para que esses canhões não voltassem a disparar.

Se o Serapis tivesse conservado a sua distância relativa ao Bonhomme Richard, ele teria muito provavelmente saído vitorioso, já que era mais rápido, melhor armado e melhor construído, mas os dois navios encostaram um ao outro, a cinco quilômetros (três milhas) a sudeste de Flamborough Head e travou-se então uma batalha sangrenta com uma enorme perda de vidas de ambos os lados, Os atiradores de Jones dominaram a luta no convés, mas o canhão do Serapis continuou a atirar no casco do Bonhomme Richard abaixo da linha dc água fazendo com que os porões se fossem enchendo de água.

 

Fragata Serapis

Bonhomme Richard

No meio da escuridão, um homem de Jones conseguiu arremessar uma granada Por um rombo no casco do Serapis, provocando a explosão do depósito de pólvora e causando a morte a grande parte da tripulação, O capitão Pearson rendeu-se logo a seguir e pouco antes de o mastro grande do Serapis cair.

A batalha terminou às 10,30 hrs. daquela noite, e embora o Bonhomme Richard tenha ficado bastante danificado, Jones não o abandonou. Os carpinteiros começaram a remendar os rombos assim como a reparar o capturado Serapis. No dia seguinte, ao entardecer tinha-se tornado claro que o Bonhomme Richard estava longe de estar reparado e que tinha de ser abandonado. Na segunda noite , todos que estavam a bordo, foram transferidos para outros navios. O último homem a sair o fez às 10 hrs. da manhã do dia 25 de Setembro, vindo o navio a afundar meia hora depois.